sexta-feira, 20 de maio de 2011

ABUSO DE PODER (?!)

Jéferson Dantas[1]

Há uma prática corrente entre as agências educacionais em Santa Catarina promotora de todas as formas de autoritarismo que não gostaríamos de ver mais neste estado e em nosso país. O magistério catarinense foi mais uma vez alvo desta prática nociva através das diretorias de ‘desenvolvimento humano’ e de ‘educação básica e profissional’, vinculadas à Secretaria de Estado da Educação (SED). Por meio de um ofício circular (691/2011), os gerentes de educação receberam 17 recomendações de como lidar com a greve do magistério catarinense em curso.

Dentre as recomendações temos os seguintes tópicos: 1)não permitir que as unidades de ensino sejam utilizadas para a realização de assembleias ou reuniões que tratem da greve; 2)intimidação dos diretores e diretoras para o envio da relação nominal dos/as professores/as grevistas, incluindo os próprios diretores que, porventura, aderiram à greve; 3)os professores que ministraram aulas de 30 minutos para discutirem a greve em suas unidades de ensino, serão descontados em suas folhas de pagamento no montante de 1/3; 4)os/as professores/as admitidos em contrato temporário que, porventura, encerrarem os seus contratos durante o período de greve, não terão seus contratos renovados, caso sejam grevistas; 5)os gerentes de educação deverão fiscalizar as unidades de ensino in loco para acompanhar todas as recomendações supracitadas; 6) e a última recomendação, textualmente indica: ”Tanto o diretor da escola quanto o assessor de direção constituem cargos de confiança e, estrategicamente posicionados, representam peças importantes para a consolidação da política educacional proposta pelo governo do estado. Portanto, este é o momento de exercer e fortalecer a liderança inerente ao cargo, atuando efetivamente como gestor da unidade escolar, buscando a organização em meio ao caos e, principalmente, correspondendo à expectativa que o governo do estado deposita em cada um de vocês”.

Levando-se em conta a síntese das recomendações apresentadas, fica-nos bastante claro o projeto educacional do governo catarinense. Os cargos de direção servem de redutos eleitorais e em situações de greve, estas ‘peças importantes’ precisam exercer todas as formas de assédio/autoritarismo sobre os seus professores, proibindo-lhes de reivindicar um direito consagrado numa lei federal (piso salarial nacional). Como não há perspectiva de eleição direta nas escolas catarinenses (uma reivindicação que também deveria ganhar as ruas), as unidades de ensino vão se tornando amorfas, já que os espaços educativos não podem ser utilizados para o debate político, para a conscientização da classe trabalhadora docente e, por conseguinte, das comunidades locais envolvidas (estudantes e famílias). O ‘caos’ precisa ser erradicado! Nunca um documento oficial foi tão nítido em seus propósitos. Lembro apenas que educação é espaço de luta e de litígio e enquanto os/as professores/as continuarem firmes em suas exigências (amplamente apoiados pela opinião pública e pelas universidades públicas), creio que terão estabelecido um marco histórico no que se refere à visibilidade de suas condições de trabalho e o desmascaramento das políticas públicas em vigor em Santa Catarina.



[1] Historiador e Doutorando em Educação (UFSC). Articulador e consultor das escolas associadas à Comissão de Educação do Fórum do Maciço do Morro da Cruz (CE/FMMC) em Florianópolis/SC. E-mail: clioinsone@gmail.com

terça-feira, 17 de maio de 2011

A ‘blitz’ da educação

Por Jéferson Dantas[1]

Nos últimos dias a tevê Globo tem veiculado em seu telejornal noturno (Jornal Nacional) matérias referentes à educação pública nacional, relatando os dados do IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) de determinadas escolas, seus dilemas, desafios e histórias de superação. No enredo teledramatúrgico tão próprio deste jornal de variedades eletrônico, ‘especialistas’ em educação são convidados para comentar as experiências educativas nas unidades de ensino com melhor e pior desempenho no IDEB em diferentes regiões do Brasil. Os ‘experts’ educacionais têm, em grande medida, formação em economia e, é a partir desta perspectiva (economia educacional), que taramelam sobre os rumos da educação em nosso país. Toda esta articulação em torno da ‘qualidade da educação nacional’ que envolve o Estado e o empresariado nacional vem desde 1990, quando o Brasil foi signatário da Declaração Mundial ‘Todos pela Educação’, em Jomtien, na Tailândia.

A reestruturação produtiva do capital nas últimas décadas tem exigido uma força de trabalho mais flexível e uma escolarização básica um pouco acima daquela que se demandava nas décadas de 1970 e 1980, quando a “Teoria do Capital Humano” estava em seu auge. Sob o manto da qualidade total, tão comum no jargão empresarial, o capital percebeu que a força de trabalho nacional se ressentia dos poucos anos de estudo ou de uma escolarização precária que, longe de ser desprezada, atendia apenas um determinado segmento de seu setor produtivo. O que não se discute, efetivamente, nas matérias veiculadas pelo Jornal Nacional é a precarização e a intensificação do trabalho docente como um todo, que percebe salários indecentes e em muitos casos as piores condições de trabalho possível. Neste caso, ficam subentendidas as ‘histórias de superação’ através do voluntariado, presença das famílias e a desresponsabilização estatal. O modelo educativo público a ser seguido, conforme um dos ‘experts’, é o mesmo das escolas privadas. Ou seja: se a escola pública vai mal é porque os professores não se esforçam o suficiente, além de conduzirem suas práticas pedagógicas de forma muito ideologizada (e isto é péssimo para o capital).

Logo, se não são discutidas as premissas do modelo econômico vigente (o capitalismo), como exigir da escola pública a solução dos problemas da violência, do desemprego, da miséria, do narcotráfico e do meio ambiente, se a mesma é socialmente determinada pela lógica do capital? Ao tomar a escola como ‘determinante’ e não como ‘determinada’ pela violência estrutural do capital, só é possível concluir que o cinismo é a resposta mais adequada para os problemas educacionais do Brasil. Em outras palavras, exige-se da educação pública o ‘máximo’ com investimento ‘mínimo’, e disto os economistas entendem bem.



[1] Historiador e Doutorando em Educação (UFSC). Articulador e consultor pedagógico das escolas associadas à Comissão de Educação do Fórum do Maciço do Morro da Cruz, Florianópolis/SC. E-mail: clioinsone@gmail.com

quarta-feira, 13 de abril de 2011

O APARTHEID SOCIAL NA CIDADE DE FLORIANÓPOLIS/SC

Por Jéferson Dantas[1]

A configuração espaço-temporal em Florianópolis é assimétrica do ponto de vista social e econômico, principalmente nas comunidades dos morros em sua área insular. Tais reordenações e contradições espaço-temporais sob a ótica da lógica do capital numa cidade como Florianópolis, apresentam efeitos sensíveis, corroborando para um apartheid social por vezes silencioso e invisível.

O ‘pacto urbano’ tem se perdido nos últimos anos em Florianópolis, já que, justamente, a desmobilização ou incapacidade de articulação das lideranças comunitárias, têm ocasionado um tipo de violência – por parte das políticas públicas – que ignora ‘o outro’, como se esse não fosse portador de discurso, apagando definitivamente o ‘litígio constitutivo da política’. Tal aposta no vazio político e o silenciamento das falas de dissenso são produtoras e reprodutoras da ‘violência legítima estatal’. Logo, a busca do consenso na ‘pólis’ se dá pelo apaziguamento do conflito e das tensões sociais, privatizando espaços públicos e tornando-os cada vez mais mercantilizáveis. Nesta direção, vão se cunhando todos os tipos de estereótipos possíveis em relação às comunidades dos morros e aos seus moradores, naquilo que a antropóloga Janice E. Perlman denominou de ‘etnocentrismo da classe média’.

De um modo geral, a classe média considera as favelas como um lugar de não civilizados, imundos e perigosos, repletos de desafortunados e ‘merecedores de piedade’. Além disso, a mentalidade burguesa ignora a cultura das comunidades dos morros, acusando-as de frívolas, devido aos gastos com o carnaval (desfiles, fantasias e carros alegóricos caros, perda de tempo com preparativos e ensaios). Tais ‘mitos da marginalidade’ vão se incorporando às políticas públicas adotadas e também aos veículos de comunicação em massa.

Além disso, a presença de policiais militares no maciço do Morro da Cruz tem apenas caráter repressivo e não educativo (como se defendia através das polícias comunitárias no primeiro mandato de Luiz Henrique da Silveira), através do Batalhão de Operações Especiais, da cavalaria e de outras unidades da polícia militar. O enfrentamento ao narcotráfico é fundamental, mas associada a outras políticas públicas ausentes em tais comunidades (água encanada, recolhimento do lixo, regularização fundiária, energia elétrica, escolarização de qualidade, etc.). Assim, a ‘guerra’ que consome a vida da juventude das comunidades dos morros do maciço numa faixa etária que vai dos 14 aos 22 anos não pode ser traduzida tão-somente pela associação ao narcotráfico, mas principalmente por uma política policialesca que enxerga os moradores dos morros como ‘classes perigosas’, onde as mesmas precisam ser combatidas não com políticas públicas, mas com repressão e extermínio. Tal espaço social, que apresenta pouca atratividade ao capital, recebe apenas reformas pontuais para não elevar o nível de insatisfação destas comunidades, afinal estes/as moradores/as também fornecem força de trabalho barata para a construção civil, para o comércio local e para o subemprego.

A maneira como vai se constituindo o estereótipo das comunidades do Maciço do Morro da Cruz, isto é, a ideia subjacente de que comunidades de morros, favelas ou bairros periféricos abrigam em seus espaços de convívio sujeitos violentos ou propensos à criminalidade, não possibilita compreender que a violência é um fenômeno histórico, portanto, influenciado por questões econômicas, sociais e decisões políticas ou governamentais. Para a antropóloga Alba Zaluar, as relações que envolvem os trabalhadores assalariados e os narcotraficantes são muitas vezes tênues e necessitam ser bem problematizadas, principalmente no que concerne à representação da categoria ‘trabalho’ por parte da juventude.

O conflito ‘trabalhador’ e ‘bandido’ parece estar alicerçado numa ‘ética do trabalho’, já que o/a trabalhador/a se vê superior aos narcotraficantes por conta de sua superioridade moral. Os jovens traficantes, principalmente, parecem não se identificar mais com tal ética; não possuem nenhuma ideologia, ignoram a escola e se preocupam tão-somente com um poder fugaz, bárbaro e narcísico. Por outro lado, a repressão policial promove a indistinção entre ‘trabalhadores’ e ‘traficantes’ quando fazem buscas nos morros, revistando de forma agressiva os/as moradores/as ou por serem pobres ou por serem negros/as. O policial treinado vigia, controla e reprime as classes definidas a priori como perigosas. Tais estereótipos reforçam o espelho negativo das comunidades empobrecidas dos morros em forma de mais violência, já que elas representam o inimigo que precisa ser combatido; nos morros não há pessoas, mas ‘indivíduos’, ‘elementos’ sem direitos civis.

Enfim, reconhecer a pluralidade das comunidades dos morros do maciço em todos os seus aspectos torna-se primordial para que compreendamos os seus modos de produção e reprodução da vida, evitando rótulos e estereótipos associados de forma reducionista à violência e à anomia. No conjunto das forças sociais em litígio, a anomia é utilizada como pretexto favorito pelos meios de comunicação de massa e por políticas públicas ineptas, que ao adaptarem seus discursos a um controle repressivo e excessivo dos ‘desvalidos’, exigem a responsabilização penal para a juventude delinquente. Ignorar, porém, mais de 35 mil seres humanos numa cidade que já sofre consequências alarmantes de mobilidade urbana, custo de vida elevado, escolaridade pública precária, despreparo policial e saúde ineficiente, não parece ser a melhor saída na conjugação de um ‘pacto civilizador’ atuante e propositivo.

PARA SABER MAIS:

DANTAS, Jéferson. Projeto histórico e construção curricular: a experiência social do Fórum do Maciço do Morro da Cruz. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, Brasília, v. 88, n. 218, p. 122-139, jan./abr. 2007.

DAVIS, Mike. Planeta favela. Traduzido por Beatriz Medina. São Paulo: Boitempo, 2006.

PERLMAN, Janice E. O mito da marginalidade: favelas e política no Rio de Janeiro. 3 ed. Tradução de Waldivia Marchiori Portinho. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2002.

ZALUAR, Alba. A máquina e a revolta: as organizações populares e o significado da pobreza. São Paulo: Brasiliense, 1985.




[1] Historiador e Doutorando em Educação (UFSC). Articulador pedagógico nas escolas associadas à comissão de educação do Fórum do Maciço do Morro da Cruz na cidade de Florianópolis/SC. E-mail: clioinsone@gmail.com.

O ABANDONO DA EDUCAÇÃO PÚBLICA EM SANTA CATARINA

Por Jéferson Dantas[1]

Num período inferior a quatro anos, o estado de Santa Catarina foi responsável pelo fechamento de três escolas públicas que atendiam, principalmente, crianças e jovens das comunidades dos morros do maciço em Florianópolis. As escolas fechadas foram: Antonieta de Barros, Silveira de Souza e Celso Ramos. A escola Antonieta de Barros está sendo utilizada como anexo da Secretaria de Estado da Educação; a escola Silveira de Souza está sendo subutilizada pelo poder público municipal; e, por fim, a escola Celso Ramos se transformou em anexo da Assembleia Legislativa para abrigar novos gabinetes dos deputados estaduais e os seus assessores.

As comunidades do Mocotó, Prainha e Queimada, notadamente, foram ludibriadas pelo poder público, ao terem a confirmação de que a escola Celso Ramos se transformaria numa creche. Em relação a todos estes aspectos aventados, fica-nos a sensação nítida da desresponsabilização estatal em relação à educação pública, principalmente para aqueles e aquelas que mais necessitam de formação escolarizada. A população do Maciço do Morro da Cruz beira aos 35 mil habitantes, contingente que tende a se ampliar nos próximos anos. E, sem escolas próximas do entorno do maciço, para onde vão estas crianças e jovens?

A falácia de um poder público inepto e que apresenta sérios problemas de comunicação entre as suas secretarias e agências educacionais (Secretaria de Educação, Secretaria de Desenvolvimento Regional e Gerência Regional de Educação), revela ainda o indisfarçável preconceito de classe. Um dos motivos do fechamento da escola Celso Ramos, por exemplo, seria o ‘problema da violência escolar’, como se a mesma estivesse descolada da violência estrutural operada pelo modelo econômico vigente, o que implica adequada infraestrutura nas comunidades dos morros, oportunidades de trabalho e renda, saúde e, evidentemente, ótima escolarização. Via de regra, escolas que atendem comunidades periféricas recebem a pior estrutura educacional possível; os/as professores/as mais despreparados/as; e um modelo curricular completamente distante dos códigos culturais trazidos por estas crianças e jovens.

Situações como essas potencializam um maior número de analfabetos e analfabetos funcionais. Crianças e jovens sem escolarização estão mais vulneráveis aos riscos sociais, incluindo o narcotráfico. Em outras palavras, quais são as prioridades de Santa Catarina para este público escolar e para a educação pública de uma maneira geral? Esperar-se-á novas tragédias para que se tome alguma providência?



[1] Historiador e Doutorando em Educação (UFSC). Articulador pedagógico das escolas associadas à comissão de educação do Fórum do Maciço do Morro da Cruz (CE/FMMC). E-mail: clioinsone@gmail.com

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

MANIFESTO DA CE/FMMC

MANIFESTO PÚBLICO

DA COMISSÃO DE EDUCAÇÃO DO FÓRUM DO MACIÇO DO MORRO DA CRUZ

A Comissão de Educação do Fórum do Maciço do Morro da Cruz, composta pelas unidades de ensino E.E.B. Celso Ramos, E.E.B. Jurema Cavallazzi, E.E.B. Hilda Theodoro, E.E.B. Padre Anchieta, E.E.B. Lauro Müller, E.E.B. Henrique Stodieck e E.E.B. Lúcia do Livramento Mayvorme, foi constituída no ano de 2000 com o objetivo de refletir e propor alternativas para assegurar uma educação de qualidade social - que é direito de todos/as e dever do Estado - e defender a democratização do acesso e permanência de crianças e jovens na escola pública, bem como a garantia de condições de trabalho escolar e aprendizagem significativa, sem discriminação de qualquer natureza. Por meio deste MANIFESTO vimos a público explicitar nosso posicionamento quanto ao último acontecimento de violência na escola Celso Ramos.

Como se sabe, o problema da violência não se restringe ao espaço escolar, pois suas causas estão profundamente fincadas na histórica desigualdade social que acompanha a formação da sociedade brasileira. Portanto, ela está ligada à má distribuição de renda e à falta de oportunidades de emprego, de formação cultural, de participação social e de políticas públicas atentas aos grupos marginalizados e excluídos que, em nossa cidade, se concentram em áreas de risco social e pessoal, em ocupações irregulares e sensíveis do ponto de vista sócio-ambiental, como é o caso das comunidades do Maciço Central do Morro da Cruz.

O último fato que mobilizou toda a sociedade catarinense e mesmo a imprensa local não é um caso isolado e tem se revelado mais freqüente no que se noticia, a exemplo de situações semelhantes ocorridas recentemente nas escolas Padre Anchieta e Hilda Theodoro. Já faz muito tempo que a Comissão de Educação vem alertando as autoridades competentes para a necessidade de uma política diferenciada para as escolas e comunidades do Maciço.

Entretanto, a ausência de qualquer retorno aos nossos chamamentos e a negligência da Secretaria de Educação do Estado de Santa Catarina e Gerências Regionais em face do sucateamento das escolas públicas estaduais, da falta de estrutura, de condições de trabalho adequadas e de respaldo institucional perante os acontecimentos de violência, motivou a Comissão de Educação a tomar providências no intuito de reunir responsáveis, aprofundar o debate e mobilizar tanto o Estado como a sociedade civil para uma reflexão cuidadosa sobre a gravidade dos problemas vividos pelas escolas do Maciço.

Nesse sentido, quando veio à tona o episódio de violência na E.E.B Padre Anchieta, no início deste ano, a Comissão de Educação organizou uma mesa de debate sobre a temática da violência escolar, cujo objetivo era discutir e encaminhar ações conjuntas para o enfrentamento desta problemática. Este debate, realizado no auditório da Assembléia Legislativa no dia 03 de Maio do corrente, contou com ampla participação de professores, dos membros da Comissão de Educação do FMMC, na pessoa do Pe. Vilson Groh, bem como de representantes da Secretaria de Segurança Pública de Santa Catarina - Diretor Geral Coronel Fernando Rodrigues de Menezes, da Secretaria de Educação - Srª Rosimari Coch Martins, que é coordenadora do Núcleo de Educação e Prevenção e membro da Comissão Violência na Escola, da GERED - Natália Cristina de Oliveira Menegueti, que é integrante da equipe do NEPRE (Núcleo de Educação e Prevenção da Grande Florianópolis), do SINTE - Profª Joaninha de Oliveira, da Secretaria de Desenvolvimento Regional - Srª Carla Rejane Rodrigues e da UFSC - Profº Fábio Machado Pinto.

Na oportunidade, entregamos às autoridades presentes o documento em anexo, que sintetiza as principais reivindicações das escolas quanto às condições mínimas necessárias ao equacionamento das problemáticas enfrentadas, e obtivemos o comprometimento dos representantes presentes à mesa em relação ao estabelecimento de uma rede de ação conjunta para o tratamento do tema da violência escolar. Ocorre que, de lá para cá, com exceção da parceria constante da UFSC, nada efetivamente foi feito por parte do Estado.

Alguns meses depois tivemos outra situação de violência na escola Hilda Theodoro, quando então marcamos uma audiência com a Secretaria de Segurança Pública para exigir providências em relação ao tema da segurança nas escolas e renovamos, junto ao seu Diretor Geral, Coronel Fernando Rodrigues de Menezes, nossa solicitação pela reativação do Projeto Ronda Escolar, o que já havia sido feito na oportunidade anterior. Mais uma vez, nenhuma ação concreta foi desencadeada até o presente momento.

Assim, a Comissão de Educação entrou em contato com a Secretaria de Segurança e GERED e solicitou uma resposta às exigências encaminhadas. O retorno nos foi prometido, mas ainda estamos à espera.....

Tal como previsto, presenciamos mais uma manifestação de violência, verificada agora E.E.B. Celso Ramos. Sem os instrumentos adequados para confrontar e combater uma problemática que é complexa e que não se resolve apenas no âmbito das relações pedagógicas internas à escola, sem o amparo político e institucional do Estado, da Secretaria de Educação e GERED, à referida escola resta apenas uma honesta tentativa de diálogo e articulação com as próprias comunidades atendidas, encontrando-se em uma situação de abandono, quando não de ameaça e de culpabilização por parte daqueles que deveriam lhes apoiar.

Frente ao exposto, a Comissão de Educação questiona: qual o comprometimento do poder público com a educação de qualidade neste estado? Por que nestes oito anos de governo as escolas que atendem as comunidades empobrecidas, crianças e jovens em situação de risco pessoal e social não têm uma atenção diferenciada? Como podemos acreditar que a educação é prioridade entre as políticas públicas do Estado se as nossas escolas, que só existem por causa das comunidades que a elas têm direito, estão cada vez mais desestruturadas, abandonadas e sucateadas política e economicamente? O que dizer do processo de precarização das condições de trabalho dos professores que atuam nessas escolas, o que torna ainda mais difícil o enfrentamento cotidiano das dificuldades enunciadas?

Não obstante nossos questionamentos, observamos um processo contínuo de evasão escolar, motivado em parte pelas condições acima expostas, as mesmas que são ignoradas pelo poder público estadual, que se volta contra as escolas responsabilizando-as pelo problema, como se ele fosse exclusivamente local. Ocorre que esta evasão contínua justificou o fechamento das escolas Antonieta de Barros e Silveira de Souza, as quais também atendiam as comunidades do Maciço do Morro da Cruz. Para onde vão os alunos oriundos destas escolas? Qual será a próxima escola a ter suas portas cerradas e suas atividades interrompidas?

Não podemos simplesmente transferir o problema que nos afeta para outras escolas. Não é possível acreditar que a realocação de alunos e professores em outras escolas possibilite dissipar o problema. Ao contrário, ele se acentua. A Secretaria de Educação tem a obrigação, enquanto serviço público e representante dos interesses da sociedade, de realizar um estudo sério junto às escolas e comunidades e de, ao invés de transferir responsabilidades aos gestores, docentes e alunos, e sair fechando escolas, ampliar ainda mais o seu acesso, com qualidade social, compromisso ético e institucional e garantia de uma formação para a cidadania.

Nestas últimas semanas, várias reuniões entre a E.E.B. Celso Ramos, as comunidades atendidas e representantes dos poderes constituídos na área da educação foram realizadas com vistas ao encaminhamento de ações e também à explicitação das exigências básicas para o funcionamento da escola, tais como a contratação de pessoal técnico e especializado, reparos emergenciais na estrutura física, assim como o apoio ao desenvolvimento de projetos que auxiliem a comunidade escolar em relação à questão da violência, entre outros. Estas são algumas das reivindicações que demarcam, por um lado, o estado de precariedade em que as escolas públicas estaduais se encontram, e de outro, a nossa motivação e a nossa esperança de que, sanadas essas deficiências básicas, poderemos recuperar nossa confiança alcançando um novo patamar de negociação e de enfrentamento das dificuldades vividas e de desenvolvimento do trabalho escolar, que é nossa responsabilidade.

A Comissão de Educação sempre esteve disposta a negociar, a contribuir e a propor alternativas, mas não temos sido ouvidos em nossos alertas, assim como os problemas aqui enunciados, em nosso entendimento, não vêm recebendo a atenção especial prometida pela Secretaria de Educação e Secretaria de Segurança, as quais, apesar do decreto de 2003, assinado pelo governador, concedendo atenção especial ao Fórum do Maciço do Morro da Cruz, parecem ignorar os fatos.

Por isso, caso nossas reivindicações sigam sem resposta e as exigências da E.E.B. Celso Ramos não forem imediatamente atendidas, corremos o risco de ter o nosso projeto educativo definitivamente comprometido. E se isso se efetivar, seremos obrigados a paralisar nossas atividades.



Comissão de Educação do Fórum do Maciço do Morro da Cruz.



Florianópolis, 04 de novembro de 2010.


domingo, 17 de outubro de 2010

ENCONTRO DE ARTES DO MACIÇO


Colegas educadores/as,

no dia 19 de outubro de 2010 (3a. feira), acontecerá no Teatro Álvaro de Carvalho o 'Encontro de Artes' das escolas associadas à comissão de educação do Fórum do Maciço do Morro da Cruz.

Compareça!

Saudações pedagógicas,
CE/FMMC

sexta-feira, 16 de julho de 2010

SEXTA MOSTRA AMBIENTAL DA CE/FMMC


A comissão de educação do Fórum do Maciço do Morro da Cruz pela primeira vez, realizou sua mostra ambiental nas dependências da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), no hall da reitoria. Além dos trabalhos apresentados pelos/as estudantes e educadores/as das escolas associadas à CE/FMMC, houve uma mesa redonda com professores da UFSC que já desenvolveram algum tipo de atividade de extensão com estas unidades de ensino ou com as comunidades do Maciço. O evento ocorreu entre os dias 30 de junho e 2 de julho de 2010.

Saudações pedagógicas,
CE/FMMC.